«Foram 10 anos ao serviço do Beira-mar»

Entrevistado: Pedro Moreira, diretor desportivo do Beira-Mar

Portugal Sport: O Pedro o ano passado já era o diretor desportivo do Beira-Mar. Qual é a grande diferença em preparar um Beira-Mar para ser campeão distrital de Aveiro e preparar um Beira-Mar que está de regresso ao Campeonato de Portugal.

Pedro Moreira: Existem sempre dificuldades ao longo das épocas, independentemente da divisão onde o clube joga. A diferença é que a exigência agora é maior. Em termos de planificação e de estruturar o plantel foi relativamente fácil, porque a época passada tivemos de construir um plantel praticamente de raiz e jogamos sem haver uma base de épocas anteriores. Este ano temos essa base, os jogadores estão identificados uns com os outros e nesse aspeto a preparação da temporada foi mais tranquila.

Contratamos alguns jogadores de grande qualidade, mas mantivemos a base da época passada, que nos dá uma garantia de poder fazer uma boa época no Campeonato de Portugal.

PS: No Campeonato de Portugal e sobretudo o ano passado no distrital, não há muitos clubes a disputar jogos num estádio com a dimensão e o prestigio do Municipal de Aveiro e certamente que este tipo de infraestruturas é uma motivação para o jogador do Beira-Mar. O mesmo se pode dizer dos adversários? Certamente para eles disputar um jogo num estádio como este e contra um histórico do futebol português deverá ser extremamente motivador…

PM: Isso é sempre e é aquele peso que vamos ter de carregar sempre nas costas. Quer sejamos candidatos ou não, as equipas que vem cá jogar, independentemente de ser no estádio atual, ou até no tempo do velhinho Mário Duarte, sentem uma motivação extra, seja pelo estádio em si ou pelo ambiente dos adeptos.

Como clube temos de estar preparados porque sabemos que vai haver sempre uma motivação extra para estas equipas, quando vão jogar com o Beira-Mar. Precisamos de estar no máximo das nossas capacidades todos os jogos, porque sabemos que até contra o adversário mais modesto, eles vão deixar a pele em campo.

PS: O Pedro consegue partilhar connosco uma memória que guarde ao serviço do Beira-Mar? Seja na pele de jogador ou até de diretor.

PM: Tive dez anos ao serviço do clube. Joguei em quase todas divisões pelo clube. Vivi subidas, descidas… Os momentos de subida são sempre momentos de alegria. Mas em termos de carinho houve a época da segunda distrital, onde eu acompanhei a equipa da segunda Liga à distrital e nessa altura senti que por não ter abandonado o Beira-Mar numa fase extremamente complicada, consegui um grande reconhecimento por parte da massa adepta.

Eu já era respeitado, mas era visto apenas como um profissional de futebol, que tinha uma boa relação com os adeptos e com as pessoas da cidade, fruto da minha personalidade. No momento em que o Beira-Mar cai tantas divisões e eu opto por permanecer no clube, senti um carinho e um reconhecimento tão grande por parte dos adeptos, que sinceramente sentia-me “mais jogador” na segunda distrital, do que quando disputava a primeira Liga de futebol. E tive esse reconhecimento por parte do Beira-Mar e por parte dos adversários.

A juntar a isso há um momento particularmente marcante, que me deixou sem palavras. Nesse ano da segunda distrital conseguimos chegar à final da Taça de Aveiro. E a final era no Municipal. Nessa final fui surpreendido pelo clube e pela família, com uma bancada do estádio, junto da claque, cheia de amigos meus e familiares. Eles encheram três autocarros vindos de Penafiel para assistirem a essa final. Isso não se esquece.

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