O TEQBALL É MAIS UMA FERRAMENTA PARA AJUDAR NO FUTEBOL”

Entrevista: Dionísio Gonçalves, Presidente da Academia de Futebol de Ponte de Lima

PORTUGAL SPORT: Como surgiu a ideia de criar a Academia de Futebol?

DIONÍSIO GONÇALVES: Quando fiz 30 anos, achei que a minha carreira de jogador de futebol estava a acabar e comecei a pensar no que deveria fazer a seguir. Foi então que tive a ideia de criar, juntamente com o meu cunhado, uma academia para ajudar os mais novos.

PS: Com que escalões de formação trabalham atualmente?

DG: Temos jogadores(as) desde os petizes até aos infantis, ou seja, futebol de 5 e 7. No entanto, a necessidade de alargar ao escalão de iniciados é cada vez maior, pois queremos poder dar continuidade ao trabalho que realizamos nos outros escalões. Contudo, sendo futebol de 11, tem outras exigências e, uma vez que não temos campo próprio, utilizamos o da ADC Correlhã, para já será difícil fazê-lo.

PS: Dada a grande oferta desportiva em Ponte de Lima, tem sido fácil atrair jovens?

DG: Ponte de Lima tem muitos jovens e, felizmente, tem sido fácil construir equipas. Vêm todos com vontade de ser como o Cristiano Ronaldo, tal como na canoagem querem ser o Fernando Pimenta. Mas sinto que já não é pela imagem ou pelo dinheiro. Eles sabem que o Cristiano trabalha como ninguém e que é esse o caminho que devem seguir. Nós estamos cá para os ajudar a serem os melhores do mundo.

PS: As vossas equipas são mistas e têm já algumas meninas que se destacam. De futuro querem investir no futebol feminino?

DG: As nossas equipas são mistas, pois ainda não temos jogadoras suficientes para formar uma equipa. Mas são meninas que jogam mesmo muito bem, e isso motiva-nos a investir ainda mais no futebol feminino. A longo prazo, um dos nossos objetivos é fazer várias equipas de formação.

PS: Como referiu anteriormente, não têm campo próprio. Essa é uma das principais dificuldades atuais e um dos projetos futuros?

DG: Sim, atualmente é a nossa grande dificuldade, mas estamos a trabalhar para conseguir a nossa casa. Já construímos um campo indoor que, apesar de não ter as dimensões ideais para competir, é uma mais-valia para os pequenos treinarem com intensidade.

Para o futebol de praia temos também um pequeno campo de areia, onde fazemos treino de guarda-redes e trabalhamos a técnica individual. Temos tido um grande apoio da Câmara Municipal de Ponte de Lima.

PS: Na Academia os jovens podem experimentar futebol, mas também outras modalidades relacionadas com futebol. Fale-nos um pouco sobre este projeto.

DG: Como disse anteriormente, hoje todos os jovens querem ser como o Cristiano Ronaldo. Mas para serem bons jogadores, precisam de passar no mínimo quatro horas com a bola nos pés. O que não acontece nos dias de hoje: fazem apenas três treinos por semana, de 1h30, e não chega.

Por isso, o nosso objetivo é criar condições para que eles possam passar o dia com a bola nos pés, seja a jogar futebol, futebol de praia, footvolley, freestyle ou teqball. É um clube pequeno, mas quero ser pioneiro nisso.

Depois de uma aula de freestyle, por exemplo, os nossos pequenos vão para casa entusiasmados por mostrar aos pais o que aprenderam com o atleta Rui Coelho. Logo aí, já são mais momentos com a bola.

PS: O Dionísio é treinador de técnica individual e também Campeão Nacional de teqball. Na sua opinião, que benefícios traz esta modalidade?

DG: O teqball surgiu na Hungria, em 2014, e veio para Portugal por iniciativa minha. Esta modalidade acaba por ser mais uma ferramenta para ajudar no futebol, nomeadamente a nível de técnica. Como não podemos dar dois toques seguidos com a mesma parte do corpo, obriga-nos a pensar rápido e em várias formas de rematar. Enquanto no futebol temos quatro formas de remate, no teqball temos cerca de 30. São pequenos detalhes que fazem a diferença no crescimento dos jogadores.

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