«O complexo é a menina dos nossos olhos»

Entrevistado: Manuel Teixeira, responsável pelo Complexo Desportivo do Feirense

Portugal Sport: Como é que caracteriza o complexo desportivo do Feirense, e que importância este assume no coração do clube?

Manuel Teixeira: O nosso complexo é a menina dos nossos olhos. Conheço o do Sporting, do Benfica, do SC Braga, do Vitória SC, são extremamente bem equipados, mas logo a seguir o nosso complexo é o melhor que temos em Portugal. É um orgulho nosso até porque o complexo não é camarário, pertence ao Clube Desportivo Feirense e é uma obra feita pela direção que está cá. Foi um sonho do nosso presidente e hoje temos esta obra que as pessoas podem admirar.

No complexo temos dois campos de relvados naturais, dois campos de futebol de onze, um campo de futebol de nove e um campo de futebol de sete. O campo de futebol de sete e de futebol de nove, transforma-se também num campo de futebol de onze. Temos um ATL, onde os nossos meninos ficam até os país os virem buscar à noite. Temos um ginásio de grande qualidade à exploração, onde os nossos meninos tem um protocolo que os permite usufruir desse espaço. Há ainda uma piscina, onde levamos os nossos meninos para fazerem recuperação física e muscular.

Neste momento queremos fazer mais um relvado natural com novos balneários, para fixarmos lá o futebol feminino.

PS: A formação do Feirense é acompanhada de perto pelos tubarões do futebol nacional. É possível gerir as expetativas dos miúdos quando são abordados por um dos grandes?

MT: É muito complicado. Isso cria expetativas nos miúdos e nos próprios pais, que ficam à espera que o telefone toque. Se o FC Porto contacta um pai a dizer que há interesse em contratar o seu filho, não temos hipótese. É o mesmo que se o Feirense contactar um miúdo da formação do Arrifanense ou do São João de Ver para o trazer para cá, o miúdo se calhar já nem dorme mais com a emoção. Percebo estas situações mas às vezes fico perturbado. Trabalho uma vida inteira nesta casa e de uma hora para a outra perco um menino, que vi crescer e se tornar jogador.

PS: Acompanham a carreira dos jogadores que se tornaram profissionais depois de saírem do Feirense?

MT: Dou-lhe o exemplo do Rafa. É meu amigo, conheci-o quando ele veio para o Feirense. Na altura ele tinha 18 anos e saiu do Alverca e quis vir jogar para o norte, fazendo o último ano de júnior. Foi a Guimarães, Braga, Vila do Conde e não o quiseram. Quando veio a Santa Maria da Feira nós não o conhecíamos. Ele pediu se podia fazer aqui uns treinos e nós não fechamos a porta a isso. Fez dois treinos e o Nuno Mata Santos disse-me logo que tínhamos de ficar com ele. Nós não temos por norma facultar alojamento a atletas, mas o professor insistiu que devíamos apostar e lá lhe arranjamos um apartamento. Hoje joga no Benfica e na seleção nacional. E é um jogador formado na nossa casa, que nos garante direitos de formação sempre que é vendido.

O nosso presidente tem uma filosofia interessante: todos os jogadores da formação que são vendidos, o investimento é feito para o complexo. Com a venda do Rafa do SC Braga para o Benfica, o Feirense usou o dinheiro recebido a seu devido direito e investiu no complexo.

PS: O que é que considera que ainda falta no complexo do clube?

MT: Queríamos ter aqui o pavilhão das modalidades e já está garantido que vai acontecer. De resto nós temos espaço para aquilo que queremos. Com a entrada do futebol feminino começou a surgir a necessidade de expandir o número de campos. Neste momento temos de fazer alguma ginástica para encaixar aqui tantas equipas. O passo mais assertivo neste momento passa por criar um local próprio no complexo para o futebol feminino. É bom para a secção crescer e torna mais fácil gerir a ordem de treinos.

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