“Somos o clube do Algarve com mais atletas de futebol inscritos”

Entrevistado: Bruno Xavier, vice-presidente do Imortal DC

Portugal Sport: O Imortal vai continuar no Campeonato de Portugal. Que balanço é que conseguem fazer da última época desportiva.

Bruno Xavier: Foi um ano dificílimo. Teve características muito diferentes do habitual e que não fizeram sentido nenhum. O Imortal até acabou por ser beneficiado com isso, mas temos o exemplo do Louletano, que com os mesmos pontos do segundo lugar, poderia ter lutado para subir, mas acaba por descer de divisão. Tivemos equipas que na primeira fase não gastaram dinheiro nenhum e reforçaram-se na fase da manutenção, conseguindo salvar a época desta maneira. Não faz sentido.

PS: Este modelo do Campeonato de Portugal vai alterar a vossa estratégia a partir da próxima época?

BX: A nossa estratégia tem sido sempre a mesma: estabilidade, pagando tudo o que temos para pagar. Não falhamos ordenados, pagamos os prémios de jogo antes dos jogos, pagamos o prémio da manutenção mal terminou o jogo em que garantimos a permanência no Campeonato de Portugal, somos sérios. Nunca vamos oferecer o que não temos e por isso vamos continuar a lutar pela manutenção, sem pensar em subir de divisão.

A nossa equipa é composta por pessoas do Algarve, não pagamos estadia nem alimentação a ninguém e vamos continuar assim. A única chance de existir uma mudança em termos de ambições, será com a entrada de um investidor. Mas se isso acontecer, dos 11, 12 jogadores que temos de Albufeira, se calhar nenhum garantia lugar na equipa. A diferença é essa, o clube ia procurar entrar nos profissionais e estes jogadores iriam ter de procurar outro clube, sendo que no Algarve teriam de andar pela distrital.

PS: A pandemia que vivenciamos nos últimos dois anos trouxe transtornos económicos ao Imortal DC? Perderam atletas?

BX: A pandemia não nos afetou muito.. Temos cerca de 370 atletas inscritos na AF Algarve e enquanto nos permitiram, continuamos a trabalhar a formação. Além disso, quando deixamos de trabalhar, também deixamos de ter tantos custos e equilibramos as coisas.

PS: É possível correr atrás do prejuízo, do ponto de vista da formação de uma atleta, quando eles perderam dois anos inteiros de futebol de formação?

BX: O grande problema aqui é o sedentarismo. E esse problema vem antes da pandemia. Damos praticamente tudo de mão beijada aos miúdos e eles acabam por não sair de casa. Em casa tem tudo, jogos, televisão, internet, enquanto a minha geração brincava na rua. O sedentarismo é um problema que evidentemente com a pandemia ficou mais acentuado. Não existe a mesma bagagem que havia quando as crianças cresciam a brincar na rua. Em termos físicos, coordenação motora, etc. Posso dar um exemplo de um miúdo que passou por cá e hoje é umas das figuras da Academia do Sporting. O miúdo todos os dias aparecia aqui, com uma bola debaixo do braço, vindo da rua, trazia um amigo ou dois e o futebol dele desenvolveu-se mais depressa que os restantes meninos da sua geração. Chama-se Gabriel Silva e espero que tenha sorte na sua carreira.

PS: O Bruno tem alguma opinião formada em relação ao desenvolvimento do futebol de formação do Algarve?

BX: Cada vez se trabalha melhor em qualquer parte do país. Seja no norte, ou no sul. As certificações vieram trazer um custo ao clube, mas também alguma profissionalização, coisa que dentro deste clube não existe. Mas faz-nos estar rodeados de gente formada e com altos conhecimentos de futebol. No meu tempo, o treinador era um professor de educação física. Hoje conhecimento tem de ser maior.

PS: Os vossos miúdos são maioritariamente de Albufeira, ou fazem captações externas?

BX: O Imortal DC já teve as três gerações de iniciados juvenis e juniores nos nacionais. Com miúdos perto de Lagos e outros concelhos longe daqui. Eram custos de transporte muito elevados e retiravam espaço aos miúdos de Albufeira. Quando assumi o clube senti que era necessário mudar esse paradigma por isso hoje a nossa formação vive essencialmente dos miúdos do concelho. Não saímos de um raio de 20 quilómetros. Se subirmos aos nacionais, será com os miúdos da terra e dentro do nosso contexto.

PS: No que diz respeito ao plantel principal, qual é o objetivo para 2022/2023?

BX: A ideia que temos passa por tentar manter a nossa estrutura. A espinha dorsal é a mesma há muitos anos, o nosso treinador está no Imortal há cinco anos e vai continuar. Vai ser um ano difícil, com muitas viagens, em principio iremos quatro vezes aos Açores e são custos muito elevados. O nosso grande objetivo passa por ficar nos oito primeiros, vamos batalhar jogo a jogo para lá chegar, sempre mantendo a estabilidade e com gente do Algarve.

Hoje temos o nosso estádio cada vez mais bonito no interior, recebemos a visita de equipas grandes durante a época, para fazerem lá estágios. Sei que os jogadores quando lá chegam, sentem-se profissionais, porque parece o estádio de um clube de primeira Liga.

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