“O L. Lourosa hoje é um clube atrativo para qualquer jogador”

Henrique – Jogador do L. Lourosa

Portugal Sport – O Henrique chegou ao clube quando o Lourosa subiu ao Campeonato de Portugal e ao longo destes quatro anos fez parte de um projeto que visa levar o clube a outros patamares. Que diferenças encontra hoje no L. Lourosa, em relação ao período de há quatro anos atrás?

Henrique – Cheguei aqui um bocadinho de paraquedas, depois da experiência no Chipre. Tinha aqui o André Ribeiro e o Sérgio Carvalho que já conhecia bem, e fiquei cá para manter a forma até surgir algo em concreto para a minha carreira. Ao final de três semanas, as coisas que surgiram eram para fora do país e eles estavam sempre a convidar-me para ficar no Lourosa. Acabei por aceitar o desafio e fizemos uma época interessante.

Na altura o clube já era bastante profissional para a realidade onde estava inserido. Infraestruturas, staff, já era tudo bastante profissionalizado e as condições eram excelentes. Com o passar dos anos, o Lourosa evoluiu noutros aspetos, nomeadamente em termos de jogadores e outras competências. O Campeonato de Portugal é muito competitivo. O Lourosa montou uma bela equipa e foi pena a pandemia ter interrompido o trabalho que estávamos a desenvolver em 2019/2020. Estávamos bem encaminhados para o playoff, jogávamos bem, estávamos no bom caminho, mas decidiram interromper a competição e promover o Vizela e o Arouca.

O ano passado não correu da melhor maneira, mas pelo menos conseguimos chegar à Liga 3.

PS – A Liga 3 é uma competição que faz sentido em Portugal?

Henrique – Faz todo o sentido. Eu comecei a jogar no Fafe na altura na segunda divisão B e sei que estas divisões vão criar muitos derbys dentro da competição, muitos jogos interessantes, que vai trazer muito público ao estádio. Vai ser ainda mais competitivo e faz total sentido.

PS – A massa adepta do Lourosa é conhecida por ser bastante aguerrida, independentemente da divisão onde jogue o clube. Como tem sido a relação do Henrique com os adeptos do Lourosa? Por ser uma figura conhecida os adeptos exigem mais de si, ou podemos considera-lo uma espécie de ídolo da bancada?

Henrique – Não me considero nada disso. Simplesmente tento dar o meu melhor e eles sabem disso. Eles estão sempre do lado dos jogadores e se o grupo der tudo em campo, eles próprios sabem reconhecer esse trabalho. Muitas vezes não se pode ganhar, mas o que eles exigem acima de tudo é a entrega. No passado joguei numa equipa com adeptos também bastante exigentes, o Boavista, o que facilitou a minha integração com os adeptos do Lourosa.

Quando vim já tinha conhecimento que os adeptos eram uma das forças do clube, e são pessoas que merecem e nos ajudam na luta pelos nossos objetivos. E todos juntos não tenho a menor duvida que vamos estar nas Ligas profissionais.

PS – Olhando para as transformações do plantel, que ao longo dos anos conseguiu contratar jogadores de peso, jogadores oriundos de clubes rivais, podemos concluir que hoje o Lourosa é o clube mais atraente do distrito de Aveiro, fora os que jogam nas ligas profissionais?

Henrique – Acredito que sim. Temos condições e estruturas sem igual nos outros clubes aqui da zona. E o Lourosa é um clube que luta por coisas grandes. Não anda aqui por andar e até por isso hoje é um clube atrativo para qualquer jogador.

PS – Nestas primeiras semanas de trabalho, já sente o dedo do novo treinador?

Henrique – Tenho gostado muito de trabalhar com o treinador Filipe Moreira. Tem sido bastante satisfatório. A maneira de jogar é diferente, o plantel também está completamente renovado, e quem veio também vem ajudar, vem trazer qualidade. Nestas duas semanas posso concluir que vai haver muita rivalidade interna, no bom sentido, uma vez que ganhar um lugar neste Lourosa não será fácil.

PS – O formato da Liga 3, que terá duas fases distintas, veio modificar a forma da equipa encarar a época, uma vez que o acesso à Liga 2 será diferente do que acontecia no Campeonato de Portugal?

Henrique – No CP tínhamos oito séries e havia o playoff, porque não iam subir oito equipas. Este modelo será mais atraente, só com duas séries, e será mais justo para todas as equipas que querem subir de divisão.

PS – O objetivo para este ano é a Liga 2?

Henrique – Claro que temos todos essa ambição. Sabemos que será difícil, vamos ter de crescer no campeonato, chegar aos quatro primeiros lugares. Temos todas as condições para estar no playoff, mas a partir dai é futebol, tudo dependa da bola que entra ou não e não ninguém que pode vir dizer diretamente que vai subir de divisão.

PS – A primeira fase promete bastantes. Foram muitas as equipas de Aveiro a marcar presença na Liga 3. Estava à espera de encontrar tantas caras conhecidas neste novo campeonato?

Henrique – Há muitas equipas aqui no norte que esperava encontrar na Liga 3. Aqui de Santa Maria da Feira e São João da Madeira também temos rivais a marcar presença, o que vai tornar a coisa interessante. Para nós e para os adeptos. É mais um motivo para termos pessoas nas bancadas a assistir aos nossos jogos.

O último ano foi atípico, jogar sem público é um processo complicado. Foi muito difícil para nós e torna o jogo diferente. Basta ver o futebol dos grandes da primeira Liga, que não tinha a mesma intensidade, comparativamente a um ano normal.

PS – Sendo hoje da prata da casa, quais foram nestes quatro anos os grandes jogos que recorda ao serviço do L. Lourosa?

Henrique – Gostei de jogar contra o Arouca, por causa da rivalidade regional, na disputa pela subida. Com o Leiria no primeiro ano também foi interessante. Tivemos o jogo da Taça em que ganhamos ao Covilhã. O jogo seguinte com o Famalicão também foi marcante, apesar de termos sido eliminados.

Com o Sporting de Espinho também tivemos jogos muito interessantes por causa da rivalidade entre os adeptos, é o tipo de jogos que trazem emoção ao futebol. E a Liga 3 vai ser ótima para trazer jogos que captem o real interesse dos adeptos.

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