“O SC João de Ver precisava do adepto Ultra”

Entrevista João Alves – Red Lions

João Alves – Os Red Lions foram fundados em 2016 por seis ou sete pessoas na casa dos vinte anos. Todos amigos, todos ex-jogadores do clube. Na altura percebemos que o clube não estava no escalão onde devia estar e percebemos que não iria chegar lá sem a presença daquele adepto fervoroso, aquele adepto chamado ultra.

Juntamos cada vez mais pessoas e desde 2016 estamos lá semana após semana. A nossa filosofia é a mesma de todas as claques: servir o clube. A tarefa é árdua, somos uma freguesia com muitos habitantes e no estádio isso não transparece. Mesmo assim estes cinco anos foram históricos para nós e para o clube. Vencemos a Taça de Aveiro, subimos dos distritais e agora subimos para a Liga 3. E os Red Lions estiveram lá sempre. Mesmo com os estádios fechados não deixamos de apoiar a equipa da maneira que podíamos.

PS – A claque é constituída por quantas pessoas?

JA – Somos entre quarenta a cinquenta pessoas. Se bem que é dificílimo ter esses quarenta ou cinquenta membros presentes todos os jogos.

PS – Importa salientar que a idade média dos membros do grupo, é bastante reduzida.

JA – As primeiras pessoas que atraímos foram os jogadores das camadas jovens do clube. A maior parte deles tinham 12, 13 anos hoje tem 17, 18. Mas sim, é uma media de idades muito baixa. Nada a haver com as outras claques desta zona. Temos membros ate aos 30 anos no máximo.

PS – Os Red Lions inspiram-se em alguma claque em particular?

JA – Costumo responder que não a essa pergunta. Não nos focamos em ninguém. Mas se virmos uma boa música ou um bom cântico e se podermos extrair algo disso, porque não? Mas não somos aquela claque de andar à procura deste e daquele. Às vezes estamos juntos à semana e vamos inventando os nossos cânticos e coreografias.

Daquilo que já extraímos de outros lados, por exemplo: o ano passado com a Sanjoanense em casa, tentamos fazer uma dinâmica parecida com a do FC Porto do Dragão. A equipa sai e caem as faixas no telhado. Conseguimos fazer algo do género nosso estádio. No nosso pais e quem anda nas claques sabe que é difícil não olhar para os grandes. SuperDragões, JuveLeo, NN e White Angels são grupos forte e tem sempre ideias que marcam. Pessoalmente gosto muito dos SuperDragões e da Máfia Vermelha. Simbolizam o verdadeiro ultra. Aquele adepto fervoroso e sem limites.

PS – De que forma o Red Lion se distingue do adepto tradicional do SC São João de Ver?

JA – O Red Lion faz um trabalho contínuo para o SC São João de Ver. Trabalhamos todos os dias para o clube. Não vivemos o clube 90 minutos por semana. O Red Lion trabalha para o clube a toda a hora. Não descansa. O adepto tradicional paga o bilhete, vê o jogo e o SC São João de Ver não existe no resto da semana.

PS – Nestes meses que passaram, de que forma conseguiram manter o apoio à equipa de futebol?

JA – A equipa nunca esteve sozinha. Estivemos sempre a apoiar a equipa. Foi difícil ter os recintos fechados. Mas víamos o jogo de fora, num patamar ao lado do estádio. A equipa foi recebida na maior parte dos jogos à saída e à chegada do estádio. As mensagens aos jogadores eram quase diárias. E tínhamos um plantel novo, fizemos questão que eles nos conhecessem. Falávamos com jogadores, treinadores, sempre com o apoio máximo da direção. Tentamos estar sempre perto da equipa e da direção. Foi difícil mas os jogadores sentiram que nós estávamos lá.

PS – O SC São de Ver vai ter uma tarefa difícil na Liga 3?

PA- É daquelas situações em que olhas para o calendário e percebes logo que não há jogos fáceis. Queremos a manutenção e os últimos anos obrigam-nos a sonhar. E nós temos o direito a sonhar com mais. Não temos a capacidade económica de outros clubes, mas vamos acreditar sempre na manutenção.

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