Quando a alma salgueirista é eterna…

Renascido das cinzas, o Salgueiros segue os hoje passos de uma história centenária de capítulos dourados e de uma alma guerreira, que espelha o orgulho da maior freguesia do concelho do Porto. O clube de Paranhos recuperou o símbolo e o nome do passado, voltou aos campeonatos nacionais e o futuro será construido com uma aposta na formação de novos craques e de mãos dadas com a sua comunidade.

O antigo Vidal Pinheiro, que hoje dá lugar a uma estação de metro, foi em tempos um dos estádios mais eletrizantes do futebol português, ou não fosse o Sport Comércio e Salgueiros um dos emblemas mais carismáticos do nosso país. Se hoje o FC Porto e o Boavista são os representativos do concelho do Porto na primeira Liga de futebol, ao recuarmos pouco mais duas décadas encontramos um Salgueiros a lutar por um lugar europeu, e futuros internacionais como Deco ou Ricardo Sá Pinto, a alegrar as bancadas do antigo estádio.

“Tão velhinho e sempre novo” é uma passagem do hino salgueirista e uma perfeita descrição para o clube de Paranhos. Fundado em 1911, o Salgueiros foi sempre um clube popular no meio da sua comunidade, espelhando o antigo bairrismo e também a classe mais humilde dentro da própria cidade do Porto. Durante largos anos o salgueiral foi um dos clubes com mais adeptos na zona norte do país, chegando a ser o segundo clube mais forte da região, alcançando um total de 24 presenças na primeira divisão do futebol nacional, juntamente com um lugar europeu.

Durante uma eliminatória europeia, época 1990/1991, o Salgueiros perderia o acesso à Taça UEFA contra o Cannes, numa eliminatória onde Zidadine Zidane dava os primeiros passos no futebol sénior e profissional. Os anos de 1980 e 1990 representam o auge do clube em termos competitivos no futebol, com um total de 12 participações seguidas na I Liga, sendo despromovidos em 2001/2002. 20 anos depois, o Salgueiros contínua longe do principal patamar do futebol português, tendo inclusivamente morrido, ido ao inferno e ressurgido numa fénix mal amada, que hoje dá novamente lugar à eterna águia salgueirista.

Recuando até 2003, o Salgueiros fecharia os seus anos dourados com um verdadeiro pesadelo fiscal. O clube de Paranhos teve inclusivamente de abandonar o lendário Vidal Pinheiro, vendido ao Metro do Porto, e no ano seguinte nem sequer conseguiu inscrever jogadores em competição. As dívidas não só levaram o clube à despromoção, como também à sua extinção. A morte do Salgueiros foi um choque para o país e um verdadeiro “abre olhos” para o que se passava no mundo do futebol, uma vez que depois do Salgueiros, outras instituições históricas seriam levadas à extinção, como foi o caso do Alverca, da Naval e do Estrela da Amadora.

O ressurgimento aconteceu em 2008. Levantar o clube e recomeçar do zero era possível, no entanto, nem o nome nem o símbolo eram os mesmos. Com uma fénix ao peito, nascia o Salgueiros 08, um nome que não caiu bem dentro da massa adepta salgueirista. Ainda assim o regresso do Salgueiros foi entusiasmante e o clube no final da primeira época conseguiu ser campeão da 2ª divisão da AF Porto. Apesar do nível distrital, o regresso dos seniores levou a que o Salgueiros fosse o 13º clube em Portugal, com o maior número de assistência nas bancadas, na época 2008/2009.

O regresso da alma salgueirista teve de resto destaque nos grandes meios de comunicação social do nosso país na altura, com o Salgueiros a realizar um jogo no estádio do Bessa, onde conseguiu uma assistência de 5 mil pessoas, contra o Ramaldense.

Após vários anos impedido de usar o nome e o símbolo pelo qual ficou conhecido, em 2018 chegou o momento com que os adeptos sonhavam há anos: o nome Sport Comércio e Salgueiros foi restabelecido, bem com o símbolo antigo. O terminal 08 e a fénix já tinham desaparecido em 2015.

De regresso aos nacionais e aos campeonatos semiprofssionais, o Salgueiros conseguiu na época 2020/2021 um sétimo lugar na classificação da série C do Campeonato de Portugal, embora o sonho continue a ser regressar à primeira Liga nacional. Olhando para a paixão da massa afeta ao clube, o lugar do salgueiral será sempre entre os maiores de Portugal. Do ponto de vista da infraestruturas, ainda há um longo caminho a percorrer.

Há 13 anos que o Salgueiros compete sem estádio próprio. Já jogou na Maia, atualmente compete em Campanhã, no entanto o objetivo do clube é a construção de um estádio próprio, em Arca D´Água, onde o Salgueiros possa competir a um nível elevado e garantir condições para ter uma formação atrativa dentro da lendária instituição.

Importa salientar que, tal como no passado, o clube de Paranhos mantém o seu eclestismo, comprovando que a força salguerista vai além do futebol, com um total de oito modalidades. O atletismo foi a primeira secção reativada pelo clube, seguindo-se o bilhar e paintball (modalidade que não está aberta todos os anos). Hoje, o Salgueiros tem em atividade o futebol de praia, boxe, futebol americano, running e os e-sports.

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