A semear um futuro de sucesso

Para os mais atentos do futsal, a Novasemente GD é um nome que dispensa apresentações, uma vez que o clube é um dos principais protagonistas na primeira divisão de futsal feminino. Em 2015 a coletividade espinhense venceu o título nacional, no entanto a história deste clube remonta a 1978, uma época onde o futsal ainda não era uma modalidade verdadeiramente estabelecida. A Portugal Sport esteve na sede da Novasemente GD e conversou com o seu presidente, Manuel Marques, de forma a perceber melhor a realidade deste clube verdadeiramente suis generis.

“O primeiro passo relativo ao nascimento da Novasemente GD surge com um grupo de amigos em 1978, ligados ao Grupo Semente, que gostavam de fazer torneios de futebol de salão na altura. A primeira grande mudança aconteceu em 1991, quando o clube foi reorganizado como Novasemente Grupo Desportivo . O registo foi feito em 1991, no entanto o clube nasce a 25 de fevereiro de 1978, com os amigos do Grupo Semente, que disputavam esses torneios que mencionei”, começa por nos contar o presidente do clube, Manuel Marques.

Com o passar dos anos, o futebol salão evoluiu para o futsal e durante grande parte da sua história, a Novasemente GD existiu como uma coletividade de futsal masculino, vencendo inclusivamente o campeonato nacional da segunda divisão, em 1996. Apesar da vitória, o clube acabaria por não ser promovido à primeira divisão, como explica Manuel Marques. “Nesse ano, a Federação Portuguesa de Futebol, absorveu a federação de futsal que existia e o clube não subiu, uma vez que esta absorção uniu o futsal e o futebol salão e na altura a FPF colocou os clubes do futebol salão na primeira divisão, enquanto nós continuamos na segunda”.

A Nova vida da Novasemente

Até 2009 o clube manteve o seu trajeto, comum a vários outros clubes de futsal, no entanto na viragem da década, face às dificuldades financeiras atravessadas, a Novasemente GD extinguiu a secção de seniores masculinos, continuando a vencer títulos com as camadas jovens. Em 2013, a abertura da secção de futsal feminino mudaria por completo o destino da Novasemente GD, iniciando um percurso de sucesso desportivo, como o clube espinhense nunca antes tinha vivido. Logo no primeiro ano, o clube conseguia o apuramento para a primeira divisão de femininos e se estabeleceria como uma das melhores equipas do norte. Dois anos depois, a Novasemente GD viveria o melhor momento da sua história, quando venceu o campeonato nacional, disputando também e até ao último segundo, a final da Taça de Portugal.

Sobre a aposta no futsal feminino, o presidente explica que “em 2013 decidimos tomar uma opção diferente para a nossa estrutura. O futsal sénior masculino tem despesas absurdas até no nível regional. Ao investirmos nos femininos conseguimos criar uma equipa competitiva a nível nacional, sem colocar em causa a nossa saúde económica. O resultado dessa aposta, é todo este sucesso que se verifica nestes últimos sete anos. Estamos sempre na alta roda, com planteis muito bons, temos das melhores jogadoras da zona norte e queremos voltar a ganhar tudo”.

Neste momento a Novasemente GD continua a disputar os lugares cimeiros da primeira divisão, no entanto, os constrangimentos da Covid-19, levaram a várias complicações, para não falar da evidente dificuldade em competir com um clube com a estrutura que tem o Benfica, concorrente direto na luta pelo título, ano após ano. “O campeonato não começou da melhor maneira. Temos um plantel bom, mas estamos a pagar um pouco a falta de experiência de alguns elementos técnicos novos, que não tem experiência no futsal feminino. E fazer a transição de masculinos para femininos é completamente diferente. As relações interpessoais são diferentes e o ambiente de balneário também. A adaptação demora algum tempo, mas as competências estão todas lá e o objetivo continua a ser ganhar tudo”, reforça o presidente do clube.

O plantel da Novasemente GD é um dos mais competitivos em Portugal e dizer que é o melhor da zona norte, não é de todo um absurdo. Questionado sobre a forma como o clube consegue “blindar” as jogadoras e fazer da Novasemente GD um clube atrativo para as atletas, Manuel Marques respondeu que “damos condições que poucos dão. Económicas e não só. O clube habitou as atletas a terem condições de logística que outras coletividades não tem. E elas valorizam isso, além de que o clube não lhes falta com nada. Despendemos carros, seguros de saúde, sem mencionar os evidentes apoios financeiros”.

O presidente aproveitou para desvendar um pouco sobre o futuro do clube, revelando que “a Novasemente GD vai criar uma equipa B, para fazer a ponte das camadas jovens para as seniores. Com essa ponte, apostamos mais na formação, que em Portugal é bem necessário e não precisamos de ir buscar tantas atletas de fora. Vamos estar sempre a formar atletas. Que depois dos juniores poderão competir na B para ganhar traquejo sénior. A pandemia impediu a aposta na formação, mas mal isto passe, vamos retomar essa mesma aposta. É um modelo de gestão que acreditamos, que a longo prazo nos vai garantir competitividade e um futuro de sucesso”.

Apoios municipais

Um dos grandes parceiros da Novasemente GD é o próprio município de Espinho. A base desportiva do clube é o Pavilhão Napoleão Guerra, situado na freguesia de Anta, no concelho de Espinho e propriedade da Câmara Municipal. Algumas modalidades do clube tem também possibilidade de treinar noutras infraestruturas camarárias, como a Nave Desportiva, um espaço dedicado a eventos desportivos de grande magnitude. Manuel Marques não se esquece de ser grato, garantindo que “sem o município não poderíamos ter esta dimensão, nem nada parecido”. A Novasemente GD e a Câmara Municipal de Espinho tem estabelecido também um acordo financeiro, que garante um importante apoio económico dentro da estrutura do clube.

Importa salientar que Espinho é em grande parte uma cidade de voleibol. Em termos desportivos, foi no voleibol que o concelho conheceu maior sucesso desportivo. Seja pelos múltiplos títulos nacionais do Sporting Clube de Espinho na modalidade, seja pelo sucesso do passado da dupla de voleibol de praia, Maia e Brenha, Espinho é culturalmente a cidade do voleibol. Dessa forma, recrutar atletas da cidade para o futsal, nunca foi uma tarefa fácil, até porque o próprio futebol de 11 concorre com o futsal em termos de captação. Apesar dessas dificuldades, as condições que a Novasemente GD garante aos seus atletas e o apoio das forças vivas da cidade, tem ajudado a captar jovens para o futsal, aproveitando também o boom da modalidade nestes últimos 15 anos.

Regresso dos seniores masculinos

O seniores masculinos estão de regresso à Novasemente GD. Atualmente toda a formação do clube está parada, por força da pandemia que se arrastou por todo o ano de 2020, no entanto o regresso dos seniores masculinos acontece de forma a dar seguimento ao trabalho que foi desenvolvido na formação nos últimos anos. “Há dois anos voltamos a ter juniores no clube. Os pais ficavam inconformados porque os jogadores chegavam aos juniores e tinham de procurar outro clube para jogar, quando na verdade eles queriam continuar a representar a Novasemente GD. Não ficamos imunes a esses pedidos e trouxemos de volta os juniores. Dois anos passaram e esses jogadores hoje passaram aos seniores e formam a base desta nova equipa”.

Sobre a competitividade do plantel masculino, a Novasemente GD confirma que não há expetativas de lutar a curto prazo por um acesso à Liga Placard, uma vez que o clube não tem estrutura para competir tanto em masculino, como em feminino, e neste momento o futsal feminino é o ex-libris da Novasemente GD, uma aposta feita em 2013 e que se irá manter por largos anos. O plantel atual dos masculinos une os antigos juniores da Novasemente GD aos antigos juniores do Sporting de Silvalde, outro clube do concelho de Espinho, sendo que o um investimento alargado apenas poderia acontecer com um investidor externo ao clube.

Ecletismo na Novasemente GD

Apesar de ser a sua origem, o futsal e o futebol salão não representam todas as modalidades inerentes ao clube. Esta coletividade espinhense tem um ecletismo bastante diversificado, com um conjunto de modalidades que foge do tradicionalismo de várias outras instituições. No futebol de 11, a Novasemente GD tem um plantel a disputar os campeonatos de futebol popular desde 1991, estando há seis anos estabelecido na primeira divisão. A propósito do futebol popular, Manuel Marques confirma que em 1991 existiram vários anti-corpos entre os associados a propósito do clube entrar no mundo do futebol e logo no popular. 29 anos passados, a Novasemente GD “continua no popular, o que para mim em particular é um orgulho, uma vez que cheguei ao clube como jogador de futebol popular”, confessa o presidente. O responsável atual pela secção do futebol popular é Vítor Cruz.

Uma modalidade onde a Novasemente dá cartas a nível nacional e que acrescenta vários títulos para o clube é o Badminton. À frente da secção está Luís Pinto e Ana Isabel Cruz, atleta do clube, é Campeã Nacional de Singular Senhoras – Categoria C. Atualmente a secção de Badminton é uma das mais importantes do norte. Semelhante a outras modalidades, o Badminton é uma secção autónoma do clube, que por sua vez está aberto à inserção de novas modalidades, que à semelhança do Badminton, acrescentem uma mais valia dentro da estrutura da Novasemente GD.

A esgrima é outra modalidade inserida na Novasemente GD. Ricardo Gouveia é o responsável de secção e a esgrima surgiu como “um desafio do município. Na Nave Desportiva foi criada uma sala de armas e a Novasemente GD foi convidada a ficar com a modalidade. Como gostamos desafios, aceitamos. O desportos individuais não são fáceis, mas é um orgulho ter no clube uma modalidade nobre, como é o caso da Esgrima”.

Recentemente a Novasemente GD abriu uma nova secção: o Jiu-jitsu Brasileiro. “Foi mais um desafio que nos foi lançado, outro desporto individual e que abre a porta das artes marciais, dentro do clube”. Carlos Marques e Luís Maricato, são os responsáveis de secção, transitando juntamente com outros atletas, da antiga coletividade espinhense Warrior Jiu-Jitsu, que nos últimos sete anos trouxe para a cidade cerca de uma centena de medalhas, em competições nacionais e internacionais.

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