“Centralizar toda a gestão do clube num espaço único”

Pedro Oliveira – Presidente do Sporting Clube São João de Ver

Portugal Sport – O presidente é recém eleito, com um desafio novo pela frente. Quais são as bandeiras da nova direção para este primeiro mandato?

Pedro Oliveira – Já fazia parte da direção anterior. Conhecia o clube por dentro e percebei que teria capacidade para melhorar a organização interna do clube. Vivemos da “carolice” de todos os diretores, mas era preciso alguém com outra visão para estruturar o clube internamente. Com outros colegas de direção, abraçamos este projeto novo.

Passamos também de mandatos de dois em dois anos para de quatro em quatro. Assim conseguimos ter capacidade de montar um projeto sustentado.

PS – O vosso objetivo como direção de clube, é potencializar a formação e as modalidades?

PO – Em primeiro lugar queremos agregar tudo no clube. Centralizar toda a gestão do clube num espaço único. As modalidades eram geridas de forma individualizada e o clube acompanhava mais à distância. Queremos uma centralidade de projeto e organização.

Já temos formação em todos os escalões do futebol. Nas modalidades temos o basquetebol e futsal, e vamos ampliar outras modalidades que estão na calha.

Importa salientar que a gestão com a SAD é recente e queremos que aja uma melhor comunicação entre ambas as partes, para que todos os ramos do São João de Ver deixem de estar dispersos. Maior e mais unido é o que desejamos para o clube.

PS – A Covid-19 interrompeu a competição nas formação e modalidades durante muito tempo. Face a estas carências, como é que conseguiram manter sócios e atletas no clube?

PO – Não era fácil para o clube estar a abordar os sócios nem para eles despenderem dinheiro, sem haver campeonatos e com as provas serem disputadas a prova fechada. Não quisemos sobrecarregar as pessoas. Tivemos uma quebra muito grande que agora vamos tentar recuperar.

Na formação conseguimos manter os atletas sempre ativos. Havendo chance reativamos as atividades de treinos. Participamos em todas as competições que podíamos. Nas paragens estivemos ativos entre treinadores e jogadores, com atividades lúdicas, através de vídeo-conferências de grupo. A nossa quebra de atletas acabou por ser quase nula, com muita imaginação a parte.

PS – O entendimento com a SAD tem sido positivo?

PO – Bastante positivo. A SAD tem os seniores e juniores. E o nosso ciclo terminava nos juvenis. Percebemos que isso era um problema no percurso desportivo do atleta. Eles próprios sentiam que havia um ciclo de formação incompleta. Porque clube e SAD estão organizados de formas diferentes. Dado ao bom entendimento com a SAD, chegamos a acordo e teremos também juniores no clube. Duas equipas de juniores, uma da SAD e outra do clube. Os treinos serão quase em simultâneo, mas com treinadores diferentes. Atletas dos juniores clube poderão jogar nos juniores SAD e vice-versa.

As captações vão ser conjuntas.

PS – Qual é o número de atletas a praticar desporto no clube?

PO – O ano passado tínhamos cerca de 170 atletas. Não temos interesse em aumentar muito mais. Temos limitação de espaço que condiciona uma boa formação se tivermos mais atletas. Queremos dar uma boa formação, adequada ao espaço que temos.

PS – Como caracteriza a filosofia da formação do clube?

PO – Queremos um projeto onde o desempenho desportivo é equivalente em todos os escalões. Ter uma equipa muito boa que sobe de escalão, sendo sucedida por outra que consegue ocupar o lugar da antecessor, não faz sentido. Queremos tornar o nível da formação homogéneo em primeiro lugar.

PS – Nas modalidades, qual é o espírito competitivo das equipas?

PO – No basquetebol não temos muita representatividade em termos nacionais. Estamos rodeados de equipas mais fortes à nossa volta, o que torna o nosso projeto menos atrativo. Não é fácil ter todos os escalões e atletas para todos os escalões. Podemos começar a pensar em desporto de competição quanto tivermos mais atletas no basquetebol.

No futsal o projeto é diferente. Temos uma equipa de juniores feminino. Ao nível distrital há poucas equipas a competir e a AF Aveiro tem de se juntar a outras associações para fazer o campeonato. E aí sim, temos um objetivo ambicioso e jogamos para ganhar. Na próxima época, deveremos ter inclusivamente uma equipa sénior feminino.

No masculino, é um projeto que não teve condições nem orçamento para seguir em frente. Vamos consolidar os projetos que temos, para tudo ser sustentável Quando tivermos condições para novos projetos, certamente teremos o futsal masculino. Mas não podemos perder o equilíbrio financeiro.

PS – O futebol feminino, é uma possibilidade?

PO – É um projeto interessante. Mas só com um campo de futebol de formação, esse projeto é impossível. Quando tivermos um segundo campo, que é um objetivo nosso, poderemos ter futebol de formação feminino. Até lá não podemos pensar nisso.

PS- De que forma as forças municipais ajudam o clube a evoluir e a projetar um futuro de maior sucesso?

PO – Nestes dois anos que estão para trás, onde fui vice do clube nas partes das infraestruturas. E muitos processos avançaram desde então. Temos projetos já concluídos e outros em andamento. Vamos avançar com as construções, temos infraestruturas que carecem de melhores condições e irão ser melhoradas. Esse levantamento já foi feito. Agora é dar entrada com os projetos para eles serem executados, uma vez que temos o aval da Junta e da Câmara Municipal,que felizmente nos ajudam nessa parte. Neste momento temos de ter paciências e de ultrapassar a parte burocrática para entrar na prática.

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