“Levar o clube a um novo rumo”

Entrevistado: Manuel Bandeirinha, presidente da Assembleia Geral da AD Ovarense

Portugal Sport: A AD Ovarense celebrou 100 anos no final de 2021. Face às limitações governamentais impostas nessa altura, como é que o clube celebrou esta data redonda?

António Bandeirinha: O nosso centenário ficou a meio. Fizemos um jogo com o Beira-Mar para abrir as comemorações e depois íamos ter a 19 de dezembro de 2021 um jantar para celebrar a data. Íamos juntar os sócios e as entidades da terra, mas com a pandemia não foi possível. Estou na direção desde 2018 e fazíamos sempre um jantar de aniversário do clube. Agora que veio o centenário foi uma pena ter coincidido com a pandemia. Teria sido bom para unir as forças vivas da cidade com o nosso clube, que quer se desenvolver.

PS: Conte-nos um pouco da sua história na AD Ovarense.

MB: Já fui atleta e campeão de juvenis pela Ovarense. Fui sénior do clube, sou sócio desde os 18 anos e sempre acompanhei a instituição. É com enorme gosto que vejo o clube atingir este marco. Quando o clube reativou em 2008 houve uma tentativa para unir antigos jogadores em prol da Ovarense e nessa fase até eu fiquei a treinar uma equipa, com o Rui, que tem curso de treinador.

Joguei também pelas velhas guardas da Ovarense, tendo depois deixado quando eles começaram a disputar torneios mais competitivos. Em 2018 pegamos na direção do clube e conseguimos levar o clube à Elite de Aveiro. Queremos mais, mas faltam-nos muitos meios.

PS: Quando assumiram a direção do clube, perceberam que existia em Ovar um divórcio entre o clube e a cidade?

MB: Sim, percebemos. Mesmo ao nível da formação poucos miúdos de Ovar vinham para aqui. Preferiam ir para o Avanca ou para a Sanjoanense. Ainda para mais quando o clube foi revitalizado, não tínhamos seniores e logo desde aí as pessoas não sentiam interesse em ir ao futebol. No entanto, hoje com seniores masculinos e femininos e conseguindo desenvolver a formação, no espaço ao lado do antigo Dolce Vita, podemos levar o clube a um novo rumo.

PS: Nesta fase, os adeptos exigem conquistas?

MB: Desde que estou nesta direção temos 10 atas e oito assembleias. Deve-se dizer sempre aos sócios como está o clube. Neste momento ninguém nos exige vitórias ou ir para a Liga 3 e afins. Neste momento os adeptos estão preocupados com a estabilidade do clube e não querem perder o estádio.

Estamos todos à espera que autarquia nos dê o apoio que precisamos. Quando o clube tiver estabilizado, não tenho dúvidas que os adeptos vão pedir vitórias.

PS: Trazer o ecletismo de volta ao clube, pode ser uma realidade?

MB: A AD Ovarense tem um passado eclético e as conquistas no basquetebol (n.d.r. antes de 1996) são relembradas por todos. Ovar tem basquetebol desde 1931, as memórias da caixa de fósforos, pavilhão Raimundo Rodrigues, são marcantes e claro que temos interesse em voltar a ter várias modalidades no clube. Mesmo no ténis de mesa temos história. Atualmente além do futebol, temos a secção de bilhar e espero que seja o abrir de portas ao ecletismo, que é algo que desejo sinceramente para o clube.

Importa salientar que quando entramos na direção do clube, também havia o futsal. Mas o futsal andava a jogar em pavilhões alugados, com muitas despesas e basicamente não tínhamos condições para suportar a modalidade. Abdicamos do futsal e ficamos com o futebol, masculino, feminino e de formação.

PS: Voltando à pandemia, as assembleias gerais do clube continuaram a acontecer?

MB: Sim, mas foi muito complicado. Para fazer as assembleias tínhamos de ir para o centro de artes e ofícios. No estádio não tínhamos condições para estar num espaço com tamanhas limitações. Os jogos foram à porta fechada, a formação teve parada, os campeonatos também. Foi um problema mundial. As nossas receitas são os sócios, os bilhetes e o bar. Sem jogos e com os sócios a não pagar cotas, houve consequências.

O clube tem força, tem muitos adeptos e se os conseguirmos mobilizar a AD Ovarense vai ficar a ganhar.

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