A formação no futebol feminino vai dar frutos no futuro”

Entrevistado: Paulo Lima, coordenador técnico do futebol feminino

Portugal Sport: O projeto do futebol feminino do Feirense é relativamente recente. Foi uma forma de acompanhar o evoluir dos tempos?

Paulo Lima: O futebol feminino em Portugal tem crescido muito nos últimos dois, três anos. A nível da formação nota-se uma evolução muito grande, com meninas de várias idades a jogar. Aqui temos a felicidade de existir competições femininas já a partir dos sub-17 e o caminho a seguir tem de ser esse. O clube abriu esta secção há três anos e todos os anos aumentamos o número de equipas e atletas. Os resultados que tivemos também ajudaram porque as coisas tem corrido manifestamente bem.

PS: Objetivos para a nova temporada?

PL: A ideia é aumentar o número de equipas e atletas, chegando o mais longe possível em termos competitivos. Nas seniores queremos subir de divisão e continuar a trepar por lá cima, para um dia chegarmos à Liga BPI. Nas juniores tivemos a felicidade de subir à I Divisão, com apenas oito equipas. Será um campeonato difícil mas temos argumentos para conseguir a manutenção.

A nível distrital conquistamos cinco títulos, basicamente ganhamos tudo o que havia para ganhar. E a tendência é repetir o feito ou pelo menos estar sempre na luta pelos títulos. É preciso ter consciência que será difícil repetir o que fizemos este ano.

PS: Apesar do Feirense ainda competir nas divisões inferiores, a visibilidade e o prestigio que o clube tem torna-o mais atrativo para jogadoras de um nível superior quererem cá jogar e ajudar o Feirense a subir de divisão?

PL: Tirando se calhar os clubes grandes, não deve haver no país muitas instituições com um complexo desportivo como o nosso. E o nome do Feirense fala por si. As pessoas reconhecem prestigio e qualidade quando se fala no nome do Feirense. Somos um clube certificado no futebol masculino com as cinco estrelas e no feminino com três estrelas, o que é sinal que estamos no caminho certo.

Se um dia estivermos na primeira divisão nacional claro que vamos ter capacidade para ir buscar nomes maiores, mas o caminho faz-se passo a passo. Este foi o nosso primeiro ano a sério, os outros dois foram passados em pandemia, portanto este projeto é ainda muito recente.

PS: Sentem que a vossa secção é apoiada quer em termos de direção como de massa adepta?

PL: A direção e o presidente sempre nos apoiou. Temos aqui todas as condições para desenvolvermos um bom trabalho. Em termos de adeptos, é uma modalidade nova e ainda não temos muitos adeptos. Nesta fase e com as nossas conquistas as pessoas vão começando a estar mais atentas ao futebol feminino e a perceber a nossa realidade. Não estou a ser demagogo quando digo que estamos nos seis, sete melhores clubes do país em termos de formação e já poucos conseguem ombrear connosco. Sentimos isso nos resultados, nos campeonatos, ganhamos quase sempre e ao implantarmos o Feirense no feminino a nível nacional, as pessoas irão começar a estar mais atentas ao nosso trabalho.

PS: Como é que se trabalha a formação no futebol feminino aqui em Santa Maria da Feira? Ao contrário do masculino, muitas jogadoras não começam a jogar futebol aos sete, oito anos, mas sim aos 17, 18.

PL: A Associação de Futebol de Aveiro tem feito um bom trabalho no futebol feminino, não apenas em Santa Maria da Feira. Já temos meninas com alguns anos de futebol. Temos campeonatos de sub-17, sub-19, com muitas equipas e com atletas que tem apenas 15 e 16 anos. No Feirense em sub-11, sub-12 e sub-13 vamos ter três equipas com meninas a competir contra rapazes, sendo que somos o único clube do distrito com equipas dessas idades, daí a que elas joguem contra equipas masculinas. É um trabalho que pode ser difícil no começo, mas que vai dar frutos no futuro, porque vão ganhar traquejo competitivo e em dois, três anos vão ser atletas melhor desenvolvidas física e tecnicamente.

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