“Somos mais felizes a ganhar”

Entrevistado: João Aguiar, treinador da Florgrade FC

Portugal Sport – O João tem apenas 24 anos e assume o cargo de treinador principal de uma equipa ambiciosa. Conte-nos um pouco sobre o seu percurso no futebol.

João Aguiar – Como atleta joguei até aos 13 anos. Sempre gostei da parte do treino. Estive como atleta no Boavista alguns anos, mas com as dores de crescimento que foram aparecendo deixei o futebol. Com 16 anos surgiu a oportunidade de começar nas camadas jovens do Boavista, através do mister Petit que me abriu as portas e foi ai que comecei. Tirei gestão de desporto na faculdade e durante esse tempo mantive-me no Boavista.

Terminado o curso, segui para Barcelona tirar um mestrado de alto rendimento e trabalhei no Estrella Damm, que tem um clube de futebol. Com os recursos que nos deram fomos o terceiro maior clube da Catalunha. Quando regresso a Portugal com 21 anos, juntei-me ao mister André Ribeiro no L. Lourosa e depois no Águeda. Durante um interregno aproveitei para ir para a Holanda estagiar com o Willem II, até voltar a trabalhar com o André Ribeiro no Valadares. 15 dias antes do mister André Ribeiro sair do Valadares, recebi esta proposta parar treinar o Florgrade FC e aceitei.

PS – Já tinha algum conhecimento em relação à Florgrade FC?

JA – Conhecia as bases do projeto. Um dos meus melhores amigos é amigo do José Carlos e fui acompanhando o crescimento do Florgrade FC, primeiro no futebol de sete e agora no de 11.

PS – Quando chegou, qual foi o objetivo que o clube lhe exigiu?

JA: O primeiro objetivo foi não descer de divisão. Quando cheguei o clube estava a passar o primeiro mau momento da sua história, com os primeiros resultados negativos. Pediram-me sempre que independentemente do resultado, que não fizesse a Florgrade FC deixar de crescer. O crescimento de um clube não depende de resultados apenas e o meu objetivo foi sempre trabalhar com o maior rigor profissional possível.

Felizmente os resultados apareceram ainda na primeira fase, conseguimos o apuramento e agora vamos continuar jogo a jogo a ver o que nos espera.

PS – Teve de mudar alguma coisa no treino ou no balneário para os resultados aparecerem?

JA – Como os jogadores não são profissionais, houve muita coisa que não se conseguiu mudar como se queria. Temos de manter o treino sempre no horário da noite, depois do horário de trabalho e depois do Cortegaça treinar. Se tivéssemos alterado o horário, alguns jogadores poderiam não ter continuado no clube, por inviabilidade com o trabalho.

Em termos de mentalidade, encontrei um grupo um pouco perdido. Eles não estavam habituados a perder, e foi preciso voltar a unir aquilo que é a família Florgrade FC.

PS – Nesta fase quem considera que são os principais adversários do Florgrade FC?

JA – Todos os adversários que querem subir, são os nossos principais adversários. Já que estamos na fase de subida, vamos tentar de tudo para lá chegar.

PS -A ambição do clube vai muito além da divisão de elite de Aveiro?

JA- Claramente que a Florgrade FC tem como objetivo chegar aos campeonatos profissionais. Por isso, não podendo saltar etapas, temos de sair da elite de Aveiro, passar o Campeonato de Portugal, etc. Claro que o ideal é nunca estagnar, e se continuarmos a ganhar estamos mais felizes.

PS – A formação está entregue ao Cortegaça. Como treinador do Florgrade FC tem preocupação em acompanhar o trabalho desenvolvido nos escalões mais jovens?

JA – Sim, temos atletas dos sub-22 que treinam connosco, já tivemos os guarda-redes de sub-19 a treinar connosco também. A ideia é ir trazendo atleta que se vão destacando nas camadas jovens a treinar com a equipa principal, para perceberem o ambiente e se integrarem bem no balneário. Acaba por ser um prémio para esses jogadores.

PS – O João passou por clubes com uma forte presença da massa associativa, nomeadamente o Boavista e o L. Lourosa. O Florgrade FC foi fundado em 2014 e está no futebol federado desde 2019. Qual é o papel do adepto no clube?

JA – O adepto aqui faz parte da família. Somos um clube aberto, racional, os adeptos que vamos tendo seguem esta linha, dão estabilidade ao clube, compreendem que não vamos ganhar sempre mas que também não vamos perder sempre. E isso é muito positivo. Os adeptos são o 12º jogador quando apoiam e não criticam.

PS -Até onde vão as ambições do João no futebol?

JA – Enquanto treinador sinto que tenho uma longa margem de progressão, um pouco há semelhança da Florgrade FC. Sem querer saltar etapas, quero ir o mais longe possível dentro daquilo que são os campeonatos nacionais e internacionais. Não quero estagnar.

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