A tragédia em Vila do Conde

Vila-condenses foram a surpresa pela negativa e descem de divisão ao fim de 13 anos

Uma época que começou a roçar o excelente acabou em profunda desilusão para as gentes vila-condenses. O Rio Ave esteve perto de eliminar o Milan na Liga Europa (só os penáltis), mas esse foi talvez o único capítulo de uma história de drama e horrores. Mário Silva iniciou a época, mas os maus resultados obrigaram a direção a mudar de líder. Entrou Pedo Cunha, mas o homem da casa também não convenceu e Silva Campos decidiu então repescar Miguel Cardoso, que na sua primeira passagem pelo clube havia deixado saudades nos adeptos e estabelecera o recorde de pontos no clube, mais tarde batido por Carlos Carvalhal. A segunda passagem do técnico pelos Arcos correu efetivamente mal e o Rio Ave, depois de vários jogos sem vencer, terminaria na antepenúltima posição da I Liga. Um lugar nada habitual para quem nos últimos anos esteve sempre de olho na Europa, mas que lhe valeria uma oportunidade para uma repescagem através de um playoff ante o Arouca. No entanto, nem isso foi suficiente para evitar o descalabro e elevar o ânimo a um coletivo que nunca se encontrou ao longo da temporada e foi adiando a permanência. Quando acordou já era tarde…

Miguel Cardoso, note-se, fez apenas o primeiro jogo da eliminatória com os arouquenses (derrota por 3-0), pois Augusto Gama assumiu a equipa no segundo duelo (novo desaire, agora por 2-0), mas o mal estava feito: o Rio Ave, 13 anos depois, desceria à II Liga.

“É um momento muito difícil. Este grupo não esteve à altura do Rio Ave, porque descemos de divisão. É um ano difícil, de muitas dificuldades. Temos de pedir desculpa a todos os que gostam do Rio Ave, porque nós enquanto grupo não fomos capazes de dignificar este clube. Há muitas coisas que correram mal. Tivemos três treinadores. Isso vai ser falado. Mas a grande mensagem é que não fomos capazes de colocar este clube no lugar que ele merece e por isso, em nome do grupo, as minhas desculpas”, disse, emocionado, Tarantini, capitão do Rio Ave, após um dos dias mais tristes da história recente do Rio Ave.

“Foi uma época frustrante e não era nada disto que prevíamos. Correu mal em todos os sentidos e, olhando para trás, podemos apontar vários erros cometidos por muita gente, desde a direção, aos treinadores e aos jogadores. Todos somos culpados. Vínhamos de uma época fantástica e entrámos nesta com uma perspetiva muito alta. Fizemos uma boa Liga Europa e, depois, deixámo-nos levar pela ilusão, porque não conseguíamos ganhar e achávamos que isso aconteceria no jogo seguinte. A descida de divisão era algo impensável para nós, mas fomos culpados”, considerou André Vilas Boas, diretor desportivo dos homens do mar.

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